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Na sua origem, a Arte Abstrata manifestou-se na Europa no início do século XX, tanto como uma resposta ao figurativismo tradicional, como rejeição da imitação daquilo que pertence ao mundo visível. A motivação foi grande: numa época em que as pesquisas na arte estavam ao rubro com o aparecimento em catadupa das mais variadas correntes: o impressionismo, o fauvismo, o cubismo (entre muitas outras), mais um passo e o ambiente propício para que aparecesse algo igualmente arrojado e desconcertante para a época estava formado: o abstracionismo. Ao longo do tempo até aos dias de hoje, o abstracionismo irradia-se em várias direções – entre elas o Abstracionismo Geométrico, a Action Painting e o Rayonismo – e mescla-se com outras correntes como o Surrealismo Abstrato e o Minimalismo, com tantas especificidades quase como o número de artistas. Escolhi este tema, porque a meu ver, é a forma de expressão que maior liberdade dá ao artista, isto quer dizer que dá liberdade àquele que nunca se prendeu ao figurativo e dá liberdade àquele que se quer soltar do figurativo. Como resistência a esta corrente, tanto o artista figurativo, como o comum dos observadores poderão não pensar desta forma. É compreensível, já que a representação figurativa e a mimética têm um poder enorme na transmissão das ideias e aparentemente são as que melhor conseguem mediar a mensagem que se quer transmitida. No entanto, o abstracionismo pega por outra ponta: as emoções. Serão as emoções as que melhor leem uma composição abstrata, porque não evoca logo à partida juízos de valor. O observador gosta ou não gosta, dependendo muito da sua reação (muitas vezes visceral) à composição. E que aspetos conduzem à perspectiva de liberdade? A liberdade do tema e do símbolo – sendo aquele que o artista quer e decide, em que (mais uma vez, aparentemente) não existe comprometimento na mensagem; a liberdade das cores; a liberdade das técnicas e dos movimentos; a liberdade dos materiais e das texturas e por fim, a atemporalidade. Nesta linha, o abstracionismo evoca aspetos que remetem para o foro neurológico e sinestésico, ou seja, o relacionamento e a transmutação entre si de percepções sensório-motoras: emoções em texturas e cores, sons em traços e formas, paladares em cores, cheiros em movimento, movimento em emoções, ritmo em perspetiva, etc. É um mundo fantástico que continua a ser explorado em tempo real e que é frequentemente utilizado para a regulação emocional, tanto de forma intuitiva pelo próprio artista, como como uma técnica aplicada em contextos educativos e terapêuticos. Para exemplificar e finalizar, não poderia deixar de trazer a minha escolha de artistas abstracionistas, entre muitos e muitos outros, pelo seu interesse e diversidade: Wassily Kandinsky (1866-1944), Piet Mondrian (1872-1944), Juan Miró (1893-1983), Mark Rothko (1903-1970), Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) e Jackson Pollock (1912-1956). E com a Arte Abstrata aproveito para dar a conhecer que os próximos workshops experimentais irão desenvolver-se entre Maio e Junho, com novas propostas em Pintura Espontânea, Pintura e Meditação e Aprender a Pintar, com datas a difundir mais adiante. Fiquem atentos. Momentos únicos com pessoas únicas! |
Sou artista plástica na áreas de pintura e artesanato, e aliada à escrita criativa convido-vos a visitar a minha newsletter ruteguerreiro pinxit, as minhas páginas na rede e a conhecer o meu trabalho no ecrã e ao vivo. Oriento cursos e workshops dentro destas áreas para descobrir e desenvolver, em convívio, o potencial criativo de cada um. E porque adoro escrever sobre a Terra e todos os seres fantásticos que nela habitam, de vez em quando há de aparecer por aí um carocho com um livrinho na mão para ler uma história em voz alta.
Meio Miranda no Teatro Lethes. Só "meio" porque o baterista está escondido atrás das flores de cena. Isto não é surrealista, nem nada que se pareça, mas é o que tenho à mão para pôr aqui. Depois substituo quando tiver qualquer coisa candidata e aspirante a tal. A orientação do tema deslizou para o Surrealismo. Um bico de obra para explicar o que é o surrealismo. Não me vou alongar na sua história, porque para mim quase que parece uma telenovela (literalmente surreal) de comadres zangadas umas...
No passado workshop foi eleito o Cadavre Exquis a versar o desenho para um tratado de feitura em confraternização. Agora escolho um outro versado em letras e que se apresenta como relato, orgulhoso do seu futuro, comum com expectativas dignas de nota de vinte escudos. Levou a cabo de uma vassoura, anos a fio, para se atar a um tronco cuja cabeça não existia, apenas ramos e folhas de papel reciclado, mais desbarato e ecológico, dividido em três, tantos quanto uma dosagem tridimensional. Três...
Cadavre Exquis de João Moniz Pereira, Marcelino Vespeira, António Pedro, Fernando de Azevedo, António Domingues, 1948. No Centro de Arte Moderna Gulbenkian. Olá, Hoje vou falar um pouco mais sobre a pintura em grupo. Como escrevi na última newsletter sobre o trabalho em grupo – e neste contexto particular, sobre a pintura em grupo – para que o trabalho se conduza a bom porto, pressupõe-se que haja colaboração entre os participantes: “Todos devem estar cientes desse equilíbrio [...]”, mas para...