A Sinestesia


Tendo abordado a sinestesia na newsletter A Arte Abstrata, gostava de dedicar a de hoje inteiramente a este assunto pelo interesse e o fascínio que suscita.

A sinestesia pode descrever-se pelo desenvolvimento de conexões neuronais entre as áreas sensório-motoras que resultam na associação e na tradução de umas sensações nas outras. Esta condição neurológica faz com que, como disse, sons possam ser traduzidos em traços e formas, emoções em texturas, paladares em cores, cheiros em movimentos, movimento em emoções e ritmo em perspectiva e por aí adiante. É mais do que interocepção (percepção do que se passa no interior do corpo) e do que a propriocepção (percepção envolvendo a coordenação motora no espaço e os cinco sentidos).

Geralmente é involuntária, mas passível de ser trazida para a consciência.

Sendo nos últimos anos matéria central em muitos estudos, procura-se uma explicação para as origens, como se manifesta e de que forma pode beneficiar o indivíduo no seu desenvolvimento e na vida do dia a dia. A investigação tem apontado vários fatores e possíveis formas de ser útil.

Entre os fatores assinalam-se:

A predisposição genética

  • Embora se considere que é uma uma característica neurológica comum ao ser humano, há pessoas que têm mais facilidade em manifestá-la do que outras.

O meio ambiente

  • Em idades precoces, onde se associam aromas, cores e texturas (e mesmo géneros masculino ou feminino) a símbolos gráficos.
  • Estados de saúde febris ou AVCs.
  • Estados meditativos ou outras condicionantes que predispõem para alterações de percepção e consciência.
  • A cultura local e familiar tem também o seu papel marcante pelas experiências e pelos estímulos artísticos e linguísticos próprios.
  • E finalmente, através de estratégias mnemónicas adoptadas ou ensinadas para facilitar a memorização, a aprendizagem, a criatividade e explorar outras perspectivas.

Que utilidade o desenvolvimento da sinestesia pode trazer ao indivíduo?

Por um lado, como vimos, pode ser utilizada como uma estratégia de leccionação e facilitar a aprendizagem.

Pessoas com esta capacidade mais desenvolvida (por área de experiências e conhecimento, já que é uma capacidade muito individual) tendem a resolver problemas com uma facilidade distinta. Por exemplo, na engenharia, na arquitetura e no design, onde a adaptação de ideias a espaços e a objetos na realidade física é de extrema importância. Na literatura e especialmente na poesia, em que as figuras de estilo são rainhas. Na filosofia e outras disciplinas do pensamento e da espiritualidade.

Pode facilitar também a vida a quem tem uma qualquer limitação sensorial e não está possibilitado a usá-la na íntegra.

Para algumas pessoas sinestésicas, certas situações na vida podem tornar-se um contratempo como, por um lado, a sobrecarga de estímulos ou, por outro, a percepção de que se é um pouco diferente dos demais e isso levar a um retraimento social.

E para finalizar este artigo, nada melhor que uma expressão para retratar a sinestesia (embora estejamos ainda um pouco distantes da época): Cheira a Natal!

E para aproveitar a onda dos sentidos, dia 23 de Maio, das 15h às 17h, vem conhecer-te a ti mesmo e descobrir a Sinestesia que mora em ti. Podes te inscrever em AQUI.


Aproveito para agradecer mais uma vez às participantes do workshop do passado sábado pela sua presença e dedicação.

Fica bem e até à próxima newsletter!

Momentos únicos com pessoas únicas!


ruteguerreiro pinxit

Sou artista plástica na áreas de pintura e artesanato, e aliada à escrita criativa convido-vos a visitar a minha newsletter ruteguerreiro pinxit, as minhas páginas na rede e a conhecer o meu trabalho no ecrã e ao vivo. Oriento cursos e workshops dentro destas áreas para descobrir e desenvolver, em convívio, o potencial criativo de cada um. E porque adoro escrever sobre a Terra e todos os seres fantásticos que nela habitam, de vez em quando há de aparecer por aí um carocho com um livrinho na mão para ler uma história em voz alta.

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