Surrealismo em moção rápida


A orientação do tema deslizou para o Surrealismo. Um bico de obra para explicar o que é o surrealismo. Não me vou alongar na sua história, porque para mim quase que parece uma telenovela (literalmente surreal) de comadres zangadas umas com as outras. “E tu és dada, não és surrealista!”; “Não, tu és mas é um burguês de todo o tamanho!”; “Aqui só entram comunistas.”; “Olha o fascista!”; ”Chamem a polícia!” A polícia veio e levou umas quantas para a esquadra para acalmar as hostes.

Resumindo, a par de outras correntes de vanguarda da época, a partir de 1910 e até 1966, com altos e baixos, surge e corre o movimento surrealista, primeiro em Paris e depois pelo mundo.

E porque todas aquelas correntes, criticando a sociedade de então, reclamam para si a distorção dos valores estético-artísticos, tratando e interpretando a composição a seu bel-prazer, o surrealismo não é diferente e não foge à regra.

Entra pela mão do dadaísmo, extrapassa-se pelas peneiras da dialética hegeliana, marxista e da psicanálise (também esta nos seus primeiros passos) e insurgir-se-á pela errância de um espírito libertário.

É através da representação de fenómenos do “inconsciente” (seja lá o que isso for), que ele vai ser mais conhecido, tanto na literatura, como nas artes plásticas e de imagem.

O cunho do surrealismo é então uma combinação de representações do figurativo irreal e do abstrato com origem no espontâneo e no inconsciente, sem juízos de valor (ou talvez com muitos juízos de valor, mas do avesso).

O jogo e o lúdico fazem intrinsecamente parte desta corrente. Sendo essa uma característica assumida pelos próprios surrealistas, desenvolvem técnicas como: o cadavre exquis, já referido nas newsletters anteriores (este pode ser feito tanto em artes plásticas como em obras escritas ou cénicas), corta e cola, ensamblamento e o dripping (pingado).

Quem quiser conhecer melhor os artistas, procurem-se entre muitos outros Chirico, Margritte, Ernst, Oppenheim, Giacometti, Miró e Dali. Vejam-se alguns portugueses nesta newsletter. Na literatura, Éluard, Aragon, Breton. Na fotografia e no cinema respetivamente, Haslman e Buñuel.

O que para mim melhor define esta correnteza, quer as comadres estejam zangadas umas com as outras, ou não, é a parte lúdica logo na sua execução, é o humor e é o desconcerto hilariante (ou não) que põe o observador à prova.

E quem me diz que os nomes das “empresas-na-hora” que por aí andam a passear nos outdoors de Portugal não fazem já parte do inconsciente coletivo surrealista? Estejam atentos que vão descobri-las!

E pronto a sair, o surrealismo espalmado e passado de ambos os lados para ser consumido.

Dia 18 de Julho, o dia agendado para o próximo workshop! Estamos em pleno verão, por isso o tema vai ser livre e descontraído! Mais informações AQUI.

Momentos únicos com pessoas únicas!

ruteguerreiro pinxit

Sou artista plástica na áreas de pintura e artesanato, e aliada à escrita criativa convido-vos a visitar a minha newsletter ruteguerreiro pinxit, as minhas páginas na rede e a conhecer o meu trabalho no ecrã e ao vivo. Oriento cursos e workshops dentro destas áreas para descobrir e desenvolver, em convívio, o potencial criativo de cada um. E porque adoro escrever sobre a Terra e todos os seres fantásticos que nela habitam, de vez em quando há de aparecer por aí um carocho com um livrinho na mão para ler uma história em voz alta.

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